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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AB-ERECTUS

Há alguns anos, em uma exploração arqueológica, encontrei um conjunto de textos em tabuas de argila que remontam a tempos imemoriais. Consultando, Leopoldo ele informou-me ter relações com um antigo habitante daquelas regiões. Mesmo não dando muito crédito a Leopoldo, que de quando em quando costuma pregar-me peças resolvi apresentar aqui um interessante texto do conjunto de textos que encontrei.

Quando Ab-erectus desceu do monte Shadai EL, o irreconhecível ordenou-lhe passar ao largo do Palácio de Adama. No entanto Ab-erectus sentiu fome e sede e invadiu os jardins do palácio  de Adama. Tomando de suas  águas e comendo de seus frutos Ab-erectus adormeceu.  Adama que passeava pelo jardim surpreendeu Ab-erectus e o devorou. Quando Ab-erectus despertou no ventre de Adama quis sair e não encontrando por onde irrompeu de dentro de Adama, liberando apenas a cabeça e parte do tronco. Adama, aturdido procurava arrancar Ab-erectus, mas toda vez que lhe tocava, Ab-erectus cospia-lhe. Como Ab-erectus demorava a retornar, El, o irreconhecível desceu de Shadai à sua procura e encontrou Adama acabrunhado: “o que te afliges?” perguntou El, o irreconhecível. “Encontrei um bilontra em meu jardim e o devorei, e agora causa-me grande desconforto... Tento arrancá-lo de meu corpo, mas toda vez que o toco ele me cospe”. El, o irreconhecível, fez cair sobre Adama um grande sono, e enquanto este dormia, El, o irreconhecível, sugou de suas entranhas Ab-erectus, que cuspiu ao lado de Adama. Quando Adama acordou, ao seu lado encontrou Matera, nascida de El, o irreconhecível, para aplacar em Adama as centelhas de Ab-erectus, permanecida em Adama. Por isso, todo filho de Matera é centelha de Ab-erectus, quando homem, e El, o irreconhecível, quando mulher...

Vale lembrar que a tradução é de Issac Ben Abbran, nascido por volta de 2000aC. Assim me garantiu Leopoldo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

POR ONDE - DOVE



E por onde anda tudo aquilo que vivi contigo?                Dove sta andando tutto quello che ho vissuto con te? 

Onde foi que se meteram os instantes                              Dove sono nascosti gli istanti

 mais profundos de minha vida?                                      più profondi della mia vita?

Onde será que estão?                                                        Dove saranno?

Dentro de mim e talvez dentro de você.                           Dentro me e forse dentro te

Se assim permitir.                                                             Se glielo permetti.

Embora os desencontros de nossas vidas,                        Nonostante i mancati incontri delle nostre vite,

os arrependimentos não tomam mais conta                     i pentimenti non fanno più parte

 de nosso caminho.                                                          del nostro cammino

E isso já vai além.                                                           E questo già va oltre.

Continuo te amando e sendo tua                                    Vado avanti amandoti ed essendo tua

assim como você me ama e permanece sendo meu.      come tu mi ami e rimani essendo mio.

Podemos estar no vai e vem, nos separamos,                Possiamo restare in questo andare e venire, ci separiamo

terminamos,                                                                   finiamo,

 voltamos...                                                                    ritorniamo...

Amizade colorida , namoro                                           amicizia variopinta, fidanzamento,

enfim você acaba sendo meu tudo.                               e tu finisci con l'essere il mio tutto.

Te amo...                                                                       Ti amo...

Adorei nossa viajem e sei que muitas                           Mi è piaciuto il nostro viaggio e so che molti

ainda estão por vir ....                                                    ancora stanno per venire.

Três anos de convivência,                                             Tre anni di convivenza,

se assim posso chamar o impacto de nossos corpos     se così posso chiamare l'impatto dei nostri corpi

e nossas almas                                                               e delle nostre anime

que uns e outros chamam de amor .                              che alcuni chiamano Amore.


Texto de Francielly Nascimento  com tradução para o itaiano de Annamaria Rosa 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SOBRE CEBOLAS

                                                  Mônica Pinheiro Lima Franco  - http://esquinadamonica.blogspot.com
Fatia cebolas.
Certa vez alguém lhe comparou com uma:
- Você é cheia de camadas.
Ergue a cabeça, olhar lacrimeja.
O relógio de parede a cumprimenta, parado há uma semana no ponteiro das dez.
"Preciso comprar pilhas. Ou devo deixá-lo preso? Assim escolho se quero ser dia ou se quero ser noite "
Olhar lacrimeja.
- Por quê chora?
- Cebolas.
- Mas onde elas estão que não as vejo?
Baixa a cabeça, na mão apenas faca.
- Você é cheia de camadas.
Não consegue se fatiar.

Sexo Escolar

Elvis Almeida



Vou contar uma história, mas não ache engraçado, foi um negócio inusitado, me deixou acabrunhado, se eu não for acreditado, vou ser no mínimo xingado. Se tiver lido e gostado poderia pelo menos ser um pouco aplaudido. Isso não foi mal entendido, foi um breve ocorrido, um boneco esquecido, tornou-se por todos lembrado. Eita torsinho safado! 

Numa escola afastada da cidade havia um torso humano que ficava no laboratório de Ciências.

Em algum momento deram por falta de uma das peças do torso.

A Diretora da escola, pressionada por professores e demais funcionários, teve que convocar uma reunião extraordinária, pois havia sumido um patrimônio público.

Convocada a reunião, todos presentes e atentos. A Diretora apresentou a pauta:

- Nesta reunião temos que tomar uma importante decisão, pois sumiu um patrimônio da nossa escola.

Isso gerou um rebuliço naquela sala.

Um dos presentes perguntou:

Mas que patrimônio é esse? (Como se ele não soubesse!)

A Diretora respondeu brevemente:

- Uma peça do torso no laboratório de Ciências!

Alguns sem saber o que era um torso, muito menos torso humano, nem arriscaram dizer nada, mas estavam curiosos para saber do que se tratava.

Uma professora, daquelas bem despachadas, perguntou bem alto:

- Qual seria a peça Diretora? (Como se ela também não soubesse!)

Essa pergunta e a forma como foi feita gerou um silêncio absoluto, ninguém ousou dizer nada por alguns segundos. Todos sabiam da peça, mas queriam a resolução da situação. Afinal era um patrimônio público.

A Diretora, sem saber o que falar, apontou para o tal torso humano e disse numa voz cambaleante:

- A professora de Ciências deu falta de um órgão masculino!

Nesse instante, todos se alvoroçaram novamente mexendo-se nas cadeiras. Havia trocas de olhares acusativos uns aos outros. Todos eram suspeitos no sumiço daquele patrimônio.

A merendeira disse logo:

- Ainda bem que eu fico sempre na minha “cunzinha”, mas venha cá minha gente, pra quê pegaram esse “negóço” de “tolço” masculino?

Alguns seguraram seus risos, pois o jeito da merendeira era muito engraçado.

O fato é que a diretora percebeu que não ia conseguir nada com a reunião. Toda encabulada, ela tomou a palavra e disse:

- Gente, precisamos decidir o que fazer. A situação não pode ficar sem resposta!

A Vice-diretora se adiantou:

- Bem, podemos comprar outro ou esperar um pouco, pode ser que esteja na escola, alguém pode ter guardado por engano num outro lugar!

A Diretora concordou logo, dizendo:

- Vamos esperar daí marcamos outra reunião para decidir, por ora estão todos dispensados. Obrigada pela presença!

Todos saíram imediatamente e sem dizer nada.

Passados alguns dias, a Diretora resolveu ir à escola num fim de semana. Para entrar no prédio ela tinha que ir à casa dos zeladores, pedir as chaves. Como a casa era no terreno da escola, ela foi entrando em direção à zeladoria. Ao longe ela escutava uns sons de pessoas gemendo. À medida que ia se aproximando as falas ficavam mais nítidas.

- Vai amor! Iiiiisssoooo! Que gostoso põe mais! Ai que delícia! Mais forte!

A cama batia em numa sequência compassada.

- ah, ah, aí...ahhhhhh... Não para!

O casal estava a se deliciar um do outro. Saiam inúmeros sons daquele quarto com a cortina cerrada. Era uma tarde nublada e fresca, com cheiro de brisa quente e leve.

A Diretora ficou à espreita num misto de curiosidade e desejo. Num dado momento, enquanto ouvia os sussurros quentes do marido de Dona Gina, a Diretora começou a se tocar. Passava a mão levemente em seus mamilos que estavam rijos. Em seguida, começou a lamber o próprio dedo. Sentiu seu coração acelerar e sua intimidade umedecer. Ela queria estar ali. Estava adorando aquele momento, queria sentir o cheiro do casal, observar o ambiente, o toque de pele, o sussuro...

Ela se aproximou mais um pouco para poder ver. Sentia-se cada vez mais excitada. Começou a passar as mãos em suas coxas e se se encostou na parede, espremendo-se. Aproximou-se um pouco mais enquanto ouvia o casal envolvido em gemidos, sons corporais, falas lascivas e sussurrantes...

- Nossa como a gente demorou em descobrir isso! Que delícia, dizia Dona Gina. Completou o marido:

- Vai bem devagar amor, com carinho! Isso, aaaaiiiii, continua..., vai mais! Nossa que gostooooosooo! Humm, vai...vou go...ah, ah, ahhhhhhh.

A diretora não se aguentava de desejo. Ela conseguiu se aproximar ao ponto de poder vê-los. Ela foi às nuvens, estava entre o orgasmo e o desejo do toque!
Repentinamente Dona Gina se posiciona e o Sr Denis diz:   
- Isso amor, agora você vai gostar disto. Vem cá! Ela começa a se esfregar levemente e o Sr Denis introduz um objeto nela.
A diretora ficou agitada, vendo aquilo. Então ela percebeu que o objeto era aquela peça pública que havia sumido. E, estava lá, todinha na Dona Gina. A Diretora se recompõe, e diz para si mesma:

- Que droga, hoje cheguei atrasada!










DES - NUDAR – VELAR

Tais Gonçalves de Morais

Perdoe se me atravessam as palavras e eu, honestamente, as coloco em evidência e de forma poética para ti, que supostamente pode acolhê-las, sem pretensão de que as legitime e se deixe tocar por
elas.

Me interessa a possibilidade de não deixar que a ilha da minha existência se exígua nela mesma...O que escrevo não é somente meu, a medida que se refere às experiências que me inundam...no existir.
Desnudo, desvelo, para que eu mesma enxergue, pátinas de sensações, desejos, sentimentos e vontades.

Grande e difícil é meu percurso, que busca realizar parte, que é sempre parte, do meu desejo.
Me intriga a cautela com a qual limita-te, do que não pode prever, antecipar e dizer...
Contenho o sentimento que me impele, por já saber, por meio de suas palavras, que não me olhas de onde te vejo e desejo...

Pulsa e, por mais que eu me escute, acabo por estancar meu grito, e isso não faz da vida um xercício simples.

Faz dela caminho possível, de densidades e desigualdades singulares, cheia de sentidos e, ainda ssim, acometida de pequenas possibilidades de ser compartilhadas  em suas nuances mais sensuais com quem amo...

Aberta, clara, honesta, verdadeira e desprendida do suposto saber, não sei dizer o que isso quer dizer, mas vou dizer... Amo-te!

   30/08/11

sábado, 14 de janeiro de 2012

JOGO ÉBRIO

Para Lygia Canelas


Ligia,
É só um jogo insone
Este rabisco comseu nome
e o esboço de umcorpo nu
Passada aembriagues,
eu leio a Lispector,
recito teus poemas prediletos
volto aser-te estranho.
Ligia, Ligia, Ligia...

***
Os meninos jogavam bola
e empinavam pipas
sem malicia
paracom Rita
correndo entre eles
Os homens jogampalito
bebem cachaça,
comem Rita,
Passando por entre eles
...
Quando vieram recolhê-lo
já não era mais corpo
***
Ligia,
Não ria nem leve a sério
Não te inquietes e durma
é apenas um jogo ébrio

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DELICIA

Theobaldo chegou à balada por volta das 22h, dirigiu-se ao bar e pediu Absolut Bossa Nova, algo com vodka, morangos e tomates. Por um instante contemplou a bebida, depois a bebericou apenas para apurar o sabor: “delicia! Assim você me mata!” Exclamou levando o copo à boca. “Você acha gato?”, ouviu Theobaldo a voz ao canto do ouvido, e ao virar deu-se com Roseane, que emendava: “ai ai se eu te pego”. Theobaldo sorriu-lhe sem jeito. “Deixa que eu pago!”, emendou Roseane. Theobaldo agradeceu a gentileza e saiu em direção à pista de dança. “Ei!”, Roseane subindo nos tamancos, “vai me deixar assim, no vácuo?”  “Olha”, explicou Theobaldo, “agradeço pela bebida, confesso fiquei surpreso, mas meu namorado está vindo ali e não quero confusão... Michel, aqui! Michel...”